Discípulos – Coram Deo*

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A teologia e o conhecimento de como viver a vida de Cristo em nós. (Gl 2.20)

C. S Lewis, em “Cristianismo puro e simples”, fala sobre o propósito do ministério da Igreja: “A igreja existe exclusivamente para atrair os homens para Cristo, torná-los pequenos Cristos. Se as igrejas não estão fazendo isso, todas as catedrais, clérigos, missões, sermões e até mesmo a própria Bíblia são apenas desperdício de tempo. Deus não se tornou homem para nenhum outro propósito”. Poderíamos acrescentar perfeitamente a interpretação bíblica e a teologia à lista de atividades que desperdiçam tempo se não resultam na edificação de discípulos.

A noção de que a doutrina e o estudo teológico da Bíblia são de ordem prática talvez pareça estranho. De fato, a imagem abstrata e não prática da doutrina é, com frequência, o pressuposto padrão daqueles que rejeitam a teologia como sendo meramente acadêmica. Esse preconceito contra a doutrina denuncia o baixo nível de educação teológica em muitas igrejas. Devemos recuperar a visão da teologia como um auxílio para ler a Bíblia, de forma que estimule e encoraje discípulos a trilharem o caminho de sabedoria da Escritura. Permita-me ir além: acredito que igreja contemporânea ministra de maneira mais prática quando ensina as pessoas a lerem a Bíblia teologicamente, ou seja, a ouvirem a praticarem a Palavra de Deus (Coram Deo).

Por que a doutrina é importante? Principalmente porque, sem doutrina, não podemos responder à pergunta que Jesus dirigiu aos seus discípulos: “Mas vós, continuou ele, quem dizeis que eu sou?” (Mt 16.15). As igrejas precisam conhecer sua doutrina porque vivemos em uma sociedade pluralista que oferece muitos “caminhos” de vida. Os cristãos precisam saber o que Jesus quis dizer quando afirmou ser “o caminho, e a verdade e a vida” (Jo 14.6), porque um discípulo é essencialmente alguém que anda nesse caminho. A igreja é a concretização desse caminho, e a teologia, em seu âmago, diz respeito a conhecermos e amarmos esse caminho.

A teologia diz respeito ao discipulado por meio da instrução dos fiéis a andarem nesta novidade: “O chamado de Jesus é um chamado para vida”. A teologia apresenta a nova realidade em Cristo e exorta os discípulos a ingressarem nessa realidade – em outras palavras, partir no caminho de Jesus Cristo com fé e entendimento. A teologia adquiriu uma má reputação principalmente porque os teólogos não têm deixado claro quão prática – quão boa para a jornada – ela é. Antes de se tornar um departamento de universidade, a teologia era feita na igreja, para a igreja e pela igreja. Além disso, era feita para ajudar as pessoas a amadurecerem no conhecimento de Jesus Cristo.

A teologia tem a ver com o conhecimento de como viver a vida de Cristo em nós (Gl 2.20), uma vida que inclui sabedoria cruciforme (1 Co 2.22) e poder da ressurreição (Fp 3.10). A teologia ajuda a igreja a entender a história bíblica da qual faz parte. De fato, a igreja é, em certo sentido, a conclusão de toda a vasta narrativa da Escritura, visto que a igreja é um microcosmo do que Deus está fazendo para renovar a criação em Jesus Cristo, por intermédio do Espirito Santo.

Portanto, a Escritura e a doutrina são os meios principais de se fazer discípulos, pois cultivam a educação cristã: o que todo cristão precisa saber para que se torne um cidadão competente do evangelho. Exige-se treinamento – especificamente, treinamento na leitura adequada da Escritura, o que requer, dentre outras coisas, enxergar a si mesmo como participante do drama da redenção conduzido por Deus. Dessa forma, e de outras mais, a Escritura instrui o comportamento e as crenças e transforma a imaginação, tornando o discípulo sábio e apto para o propósito da Glória de Deus

Somos discípulos Coram Deo!

Pr. Artur Coelho

*Diante de Deus